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Outro estudo sobre piezocisão e aceleração do movimento dentário.

By on May 1, 2017 in Portuguese with 0 Comments
Outro estudo sobre piezocisão e aceleração do movimento dentário.

Outro estudo sobre piezocisão e aceleração do movimento dentário.

Todos nós gostaríamos de fazer os dentes se moverem mais rápido, mas eu ainda não sei se isso pode ser feito. Esse novo estudo sobre piezocisão pode nos dar alguma informação.

As revistas estão publicando um grande número de projetos de pesquisa sobre alguns métodos de acelerar a movimentação dentária. A maioria dos estudos mostra que não existe evidência para respaldar o efeito do novo tratamento. O European Journal of Orthodontics acabou de publicar esse novo estudo que vem aumentar o nosso conhecimento.

Um grupo de Connecticut fez esse estudo.

Efficiency of piezotome-corticision assisted orthodontics in alleviating mandibular anterior crowding—a randomized clinical trial

Flavio Uribe et al

EJO on line: advanced access. DOI: 10.1093/ejo/cjw091

Na introdução eles ressaltaram que a evidência para a piezocisão é um tanto quanto fraca.

Entretanto, um estudo mostrou uma redução de 43% no tempo de tratamento. Eu postei sobre esse artigo no ano passado.

O que eles fizeram?

Eles fizeram um estudo para ver se a piezotome-corticisão reduzia o tempo de alinhamento dos incisivos.

Para isso eles conduziram um RCT com dois grupos e a PICO foi:

Participantes: Adultos submetidos ao tratamento ortodôntico com apinhamento inferior, que foram tratados sem extração utilizando braquetes auto-ligáveis.

Intervenção: Piezotome-corticisão (0uch!)

Comparador: Sem intervenção (tratamento normal sem piezocisão)

Desfecho: Tempo de alinhamento. Eles definiram isso como um Índice de Irregularidade de Little menor que 2 mm.

Eles fizeram uma randomização em blocos para garantir um número igual nos grupos. Quando um participante era aceito, os próprios selecionavam o tratamento que receberiam. Para isso eles assinavam num envelope lacrado, que estava dentro de uma caixa, que continha a alocação.

O que eles acharam?

Não existiu diferença entre os grupos ao início do tratamento. Eu coloquei os resultados referentes aos tempos de alinhamento nessa tabela:

 PiezocisionControlDifference
Days to alignment102112-10
95% CI(83-120)(84-139)(-41-20.9)

Você pode ver que não existiu diferença entre as duas intervenções.

Eles ressaltaram que o IRB1 da instituição deles somente os permitiu penetrar 1 mm no osso cortical ao invés da profundidade recomendada de 3 mm. Eu vou voltar nisso mais tarde, pois isso é importante.

O que eu achei?

Eu achei que esse estudo é semelhante a vários outros estudos que têm sido publicados. Em geral, eles fizeram o estudo adequadamente e o reportaram claramente. Eu não tenho nenhuma ressalva a respeito dos métodos utilizados e os resultados são úteis. É interessante observar, também, que esse é mais um estudo que investigou essa questão e que concluiu que não existe evidência de que a piezocisão aumente a taxa de movimentação dentária.

Entretanto, nós precisamos ser um pouco cautelosos em descartar a piezocisão completamente, pois os investigadores não acompanharam os pacientes até o fim do tratamento, que é o resultado importante. Mas eu não consigo imaginar nenhum paciente desejando receber piezocisões em cada consulta de ativação de seus aparelhos. Assim, os resultados desse estudo acrescentam ao nosso conhecimento.

A decisão do comitê de ética sobre o IRB

De vez em quando nós vemos em revistas uma frase que é realmente interessante e relevante. Nesse artigo foi a decisão do comitê IRB. O IRB não deixou os clínicos fazerem cortes mais profundos no osso, pois eles estavam preocupados com a possibilidade de dano às raízes. Em outra palavras, eles acharam que o tratamento “recomendado” possuía um risco significativo. Esse é um grande exemplo de como os operadores podem expor os pacientes ao risco ao conduzirem novos tratamentos ainda não testados e sem avaliação externa. Além disso, quando a nova técnica é submetida à avaliação reguladora, o corpo externo acha que não é seguro. Baseado nisso, eu fico imaginando se existem riscos de segurança que estão sendo potencialmente ignorados pelos que praticam essas técnicas.

Resumo

Como de costume, eu vou tentar resumir a base de conhecimento atual.

“Piezocisão é uma técnica nova, relativamente invasiva, que, atualmente, não é suportada pela evidência científica. Além disso, revisores externos têm sugerido que podem existir riscos para as raízes dos dentes quando a técnica recomendada é conduzida”.

Boa sorte para obter o consentimento quando explicar isso para os pacientes. Ou, poderiam os “praticantes da piezocisão” realmente explicar isso?

 

1 IRB (Institutional Review Board) – Conselho de Revisão Institucional ou Comitê de ética em pesquisa (N. do T.).

Traduzido por Klaus Barretto Lopes

Professor Visitante da Universidade de Manchester, Inglaterra, Reino Unido

Instrutor de Ortodontia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil

 

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