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Qual é a melhor contenção, a colada ou a prensada à vácuo? Temos um novo estudo clínico.

By on November 6, 2017 in Portuguese with 0 Comments
Qual é a melhor contenção, a colada ou a prensada à vácuo? Temos um novo estudo clínico.

Uma das muitas áreas controversas da Ortodontia é a contenção. Esse novo estudo nos traz algumas informações úteis.

Eu já postei sobre contenção muitas vezes. Eu concluí que existem desvantagens e vantagens nos principais tipos de aparelhos. Porém, em geral, o tipo de contenção que usamos depende das nossas escolhas e das escolhas dos nossos pacientes. Apesar disso, não existe muita informação para informarmos nossos pacientes sobre essas escolhas. Eu achei que esse estudo poderia, de alguma forma, nos trazer informações clinicamente úteis. Esse novo estudo clínico foi feito por um grupo que fica no Norte da Inglaterra.

Aliás, o Norte da Inglaterra parece ser um viveiro de estudos clínicos em Ortodontia. Isso deve ser por causa do clima.

O EJO publicou esse novo estudo:

Bonded versus vacuum-formed retainers: a randomized controlled trial. Part 1: stability, retainer survival, and patient satisfaction outcomes after 12 months

Part I lead author K Forde. doi:10.1093/ejo/cjx058

Part II lead author Madeleine Storey doi:10.1093/ejo/cjx059

 

Como sempre, os artigos muito úteis estão numa revista paga (EJO). Os autores publicaram esse estudo em duas partes. Eu decidi colocar ambos em um post conciso.

 

O grupo se dispôs a responder à seguinte questão:

 

“Existe alguma diferença na efetividade, na percepção do paciente e nos resultados no periodonto entre os aparelhos inferiores de contenção prensados à vácuo (CPV) e os aparelhos inferiores de contenção colados (CCs)”.

O que eles fizeram?

Eles fizeram um estudo clinico randomizado, paralelo, com dois braços e com alocação de 1:1. A questão PICO deles foi:

Participantes: Pacientes completando o tratamento com aparelhos fixos;

Intervenção:   CPV superior e inferior usada apenas a noite;

Comparação: CCs superiores e inferiores;

Desfechos:    Durabilidade da contenção, satisfação do paciente medida por meio de questionário, recidiva medida pelo índice de irregularidade de Little e saúde periodontal.

Eles fizeram uma boa geração de sequência, ocultação e alocação por meio de envelopes selados. Não foi possível “cegar” o paciente ou o operador. Importante ressaltar que não foi possível “cegar” a pessoa que mediu a recidiva nos modelos de estudo.

Eles obtiveram os dados ao início do tratamento e em vários outros momentos. Eu só vou discutir os dados do início do tratamento e após os 12 meses.

Eu achei ótimo ver que eles fizeram uma análise de intenção de tratamento. Isso significa que eles coletaram e analisaram os dados dos participantes que desistiram ou não utilizaram seus aparelhos de contenção. Eles fizeram uma relevante análise estatística.

O que eles encontraram?

Eles envolveram 60 participantes, dos quais 30 foram tratados com CCs e 30 com CPVs. Os grupos eram similares ao início.

Quando eles observaram a estabilidade, encontraram uma grande quantidade de dados. Eu me concentrei nos resultados principais. Essa tabela inclui a quantidade de recidiva medida pelo índice de Little. Os dados não apresentaram distribuição normal, então eles os apresentaram utilizando a mediana e os intervalos interquartis.

CCsCPVP
Maxila1,1 (1,56)0,76 (1,55)0,61
Mandíbula0,77 (1,46)1,69 (2,0)0,008

 

Eles não encontraram diferença na durabilidade dos aparelhos de contenção na maxila. A durabilidade aos 12 meses foi de 63% nas CCs e de 73% nas CPVs. Porém, na mandíbula, 50% das CCs e 80% das CPVs duraram 12 meses. A diferença foi estatisticamente e clinicamente significativa.

Os dados sobre a satisfação dos pacientes mostraram que mais pacientes mostraram dificuldades de falar e comer com as CPVs e maior desconforto com as CCs.

Finalmente, eles mostraram que a presença de CCs aumentou os níveis de placa, inflamação gengival e cálculo quando comparadas às CPVs. Porém, aos 12 meses, os dados sugerem que não existiram implicações reais para a saúde periodontal.

A conclusão geral deles foi que quando compararam CCs com CPVs:

  • Não existiu diferença na saúde periodontal;
  • Não existiu diferença na recidiva na maxila;
  • As CCs são mais efetivas que as CPVs na prevenção da recidiva na mandíbula;
  • Não existiu diferença na durabilidade dos aparelhos de contenção na maxila. Porém, na mandíbula, as CCs tiveram uma taxa maior de perda;
  • As CPVs são mais fáceis de limpar que as CCs;
  • As CCs causam menos dificuldade na fala e na mastigação.
O que eu pensei?

Eu achei que esse foi um estudo muito bem feito. Eles usaram uma boa metodologia e os achados foram interessantes. Porém, precisamos ter um pouco de cuidado com a nossa interpretação, pois o tamanho da amostra foi baseado nas mudanças de alinhamento nas arcadas. Assim, ele não deve ter força suficiente para detectar diferenças em outras medidas de resultado. Isso é particularmente relevante uma vez que a ausência de diferença entre as intervenções não foi detectada.

Algumas pessoas podem criticar os investigadores por não terem medido a colaboração com a CPV. Eu acho que esse passo não foi necessário, pois a intervenção foi a prescrição da contenção. Se o participante não usou o aparelho, isso reflete a situação do mundo real.

O estudo trouxe várias informações úteis. Minha sensação é de que a CC tem algumas desvantagens como, por exemplo, a alta taxa de insucesso e a retenção de placa e cálculo. Entretanto, a CPV também tem problemas como, por exemplo, as dificuldades na fala e na mastigação relatadas pelos pacientes. Apesar disso, como a CPV só foi usada à noite, eu me pergunto se isso seria um grande problema. Eu também não sei bem se a diferença na recidiva foi clinicamente significante.

Meu regime de contenção favorito é a CPV à noite e esse estudo reforça a minha escolha. Mas você pode interpretar esses dados para criar os seus protocolos de contenção.

Traduzido por Klaus Barretto Lopes

Instrutor de Ortodontia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil

Professor Visitante da Universidade de Manchester, Inglaterra, Reino Unido

 

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