March 11, 2019

Os pacientes não precisam usar o Twin Block o dia inteiro! Um novo estudo clínico.

A maioria de nós pede aos pacientes para usar o Twin Block o dia inteiro. Esse novo estudo nos informa que isso não é necessário.

De vez em quando um grupo de estudo conduz um estudo clínico que muda a nossa rotina clínica e acho que esse novo estudo é um desses. Na maioria das vezes, pedimos aos nossos pacientes para utilizar os aparelhos funcionais o dia inteiro. Porém, realmente não sabemos se os nossos pacientes atingem esse alvo. Felizmente, o desenvolvimento dos marcadores de tempo intra-orais nos possibilitou medir a colaboração com os aparelhos removíveis e esses pesquisadores utilizaram essa nova tecnologia no estudo.

Orthodontic East EndEffectiveness of part-time vs full-time wear protocols of Twin-block appliance on dental and skeletal changes: A randomized controlled trial

Jeet Parekh, Kate Counihan,  Padhraig S. Fleming,  Nikolaos Pandis,  and Pratik K. Sharma

Am J Orthod Dentofacial Orthop 2019;155:165-72https://doi.org/10.1016/j.ajodo.2018.07.016

Um grupo da Barts and London School of Dentistry e de Bern fizeram esse estudo. O extremo leste de Londres é uma área histórica e Bern é uma cidade sofisticada da Suíça. O AJODO publicou o artigo.

Em sua introdução, ou autores ressaltaram que o Twin Block tem sido estudado em muitos estudos clínicos, mas nenhum deles abordou os problemas de colaboração com tal aparelho.

O que eles perguntaram?

Eles fizeram o estudo para:

“Comparar os efeitos dentários e esqueléticos do uso do Twin Block quando prescrito para uso em tempo integral ou parcial”.

O que eles fizeram?

Eles fizeram um estudo clínico randomizado, paralelo, com alocação de 1:1. A PICO foi:

Participantes:Pacientes Classe II, Divisão 1, com idades entre 11 e 13 anos e overjets maiores que 7mm.

Intervenção:Recomendação de uso do Twin Block parcialmente, por um período total de 12 horas por dia.

Controle:Recomendação de uso do Twin Block integralmente, exceto para comer e praticar esportes. (22 horas por dia).

Resultados:O resultado primário foi a redução do overjet. O resultado secundário foi a mudança esquelética cefalométrica.

Em cada aparelho foi colocado um micro sensor em um dos blocos. Os pacientes não foram informados que o tempo de uso do aparelho estava sendo monitorado.

O cálculo do tamanho da amostra deles mostrou que precisariam de 62 pacientes no estudo. Eles utilizaram uma randomização pré-preparada e ocultaram a alocação em envelopes selados. Eles não puderam cegar os clínicos. Porém, coletaram todos os dados de cefalogramas anônimos. A análise estatística deles foi a apropriada análise de covariância.

O que acharam?

Sessenta e dois pacientes foram envolvidos no estudo. Ao final dos 12 meses, 55 pacientes completaram o estudo. Seis do grupo de uso integral e 1 do parcial desistiram. Os grupos eram similares ao início do tratamento.

A redução média do overjet no grupo de uso integral foi de 7mm (SD=2,92) e no grupo de uso parcial foi de 6,5mm (SD=2.62). Tais diferenças não foram nem clinicamente nem estatisticamente significativas. Eles também não encontraram diferenças nas medidas esqueléticas anteroposteriores. Por exemplo, as mudanças no ANB para o grupo parcial foi de 1,5º e para o grupo integral foi de 1,25º.

Havia mais meninas no grupo integral, mas quando levaram isso em consideração na análise estatística, isso não teve um efeito.

Finalmente, quando observaram o tempo verdadeiro de uso do aparelho, encontraram que o grupo integral somente usou o Twin Block por 12,3 horas (51% do tempo sugerido) e o grupo parcial usou o aparelho apenas 8,7 horas (73% do tempo prescrito).

A conclusão geral deles foi:

“Não existem diferenças nas mudanças esqueléticas e dentárias entre o uso integral e parcial do Twin Block”.

O que pensei?

Eu achei que este foi um ótimo estudo, simples, que respondeu uma pergunta relevante. Os métodos foram claros e o artigo foi muito bem relatado. Foi ótimo ver um relato objetivo que satisfez as diretrizes do CONSORT. Existiram vieses mínimos no estudo e os intervalos de confiança apresentados foram pequenos, sugerindo limitada incerteza.

Existiram vários achados significantes. Em primeiro lugar, os pacientes não usaram os aparelhos como os ortodontistas esperavam. Isso já foi relatado em outros estudos que usaram os marcadores de tempo Theramon. Em outras palavras, não temos uma colaboração integral. Um problema é que acho que os operadores não deram feedback sobre o uso do aparelho para aumentar a colaboração. Porém, eles o fizeram com base na avaliação da redução do overjet em cada visita.

Eles também relataram que mais pacientes que foram pedidos para usar o aparelho parcialmente completaram o estudo. Isso sugere que, talvez, exista uma melhor colaboração quando pedimos aos nossos pacientes para usar o Twin Block quando estão em casa ou à noite, ao invés de quando estão na escola.

O achado mais importante foi que a duração do uso do aparelho não fez diferença no resultado. Por mais que possamos ficar surpresos, deveríamos nos lembrar do trabalho do Proffit sobre a duração de força necessária para se movimentar os dentes. Ele ressaltou que ela deveria ser acima de 6 horas para que a movimentação ocorresse. Assim, os achados desse estudo possuem algumas bases teóricas.

Finalmente, os resultados do estudo sugerem que podemos pedir aos nossos pacientes para usar os Twin Blocks parcialmente e ainda assim conseguir um bom progresso com o tratamento. Esse é um achado clínico importante.

 

Traduzido por Klaus Barretto Lopes

Professor Substituto de Ortodontia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil

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