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As extrações de origem ortodôntica levam a um posicionamento posterior do côndilo?

By on March 14, 2017 in Portuguese with 0 Comments
As extrações de origem ortodôntica levam a um posicionamento posterior do côndilo?

As extrações de origem ortodôntica levam a um posicionamento posterior do côndilo?

Nos últimos anos eu escrevi várias vezes a respeito de pesquisas sobre extrações de origem ortodôntica. Esse novo estudo tenta descobrir se as extrações influenciam na posição do côndilo numa análise em 3D.

O debate sobre as extrações de origem ortodôntica parece nunca acabar. Existem defensores em ambos os lados da discussão. É interessantemente que a pesquisa científica não respalda a maioria das reinvidicações feitas pelos não extracionistas. Uma dessas reinvidicações é que as extrações e a retração dos incisivos deslocam os côndilos posteriormente. Um grupo do Cairo, Yemen e Arábia Saudita fez esse estudo sobre essa interessante pergunta.

Three-­dimensional­ assessment­ of ­condylar ­position­ and­ joint­ spaces­ after­ maxillary­ first­ premolar ­extraction­ in­ skeletal­ Class­ II malocclusion.

MS Alhammadi et al

Orthodontics and Craniofacial Research: Advance access DOI: 10.1111/ocr.12141

Eles ressaltaram que a maioria das pesquisas sobre esse problema é baseada em análises bi-dimensionais, então eles quiseram melhorar a qualidade dos dados utilizando imagens dos côndilos oriundas de tomografias computadorizadas de feixe cônico (TCFC).

Eles se propuseram a:

“Avaliar o efeito das extrações dos pré-molares e da retração dos incisivos na articulação temporomandibular (ATM)”.

O que eles fizeram?

Eles fizeram um estudo prospectivo e a PICO foi:

Participantes: Trinta e dois participantes com idades entre 18 e 25 anos de idade com maloclusão de Classe II esquelética, maxilla protruída e mandíbula normal.

Intervenção: Tratamento ortodôntico com extrações de pré-molares superiores e retração dos incisivos.

Comparação: Esse foi um estudo de antes e depois. Não teve um grupo controle.

Desfecho: Posição do côndilo.

Eles fizeram um cálculo do tamanho da amostra baseado numa mudança de 30% na posição do côndilo.

Eles obtiveram as TCFC e mediram a posição da ATM ao início e ao final do tratamento.

O que eles encontraram?

Eles encontraram que existiu um posicionamento posterior do côndilo estatisticamente significante após o tratamento. Essa mudança no posicionamento resultou num aumento do espaço articular anterior e uma diminuição do espaço articular posterior. Entretanto, nenhum participante desenvolveu disfunção da ATM (DTM).

Eu incluí os dados relevantes nessa tabela:

  Pré-tratamento Pós-tratamento
Posição condilar A-P 5,77 (4,47-7,06) 6,82 (5,42-8,22)
Espaço articular anterior 3,1 (2,39-3,81) 3,9 (3,12-4,68)
Espaço articular posterior 2,78 (2,4-3,09) 2,23 (1,96-2,5)

 

Você pode perceber que os intervalos de confiança a 95% se sobrepõem. Entretanto, isso nem sempre significa que as diferenças não são estatisticamente significantes.

O que eu pensei?

Eu pensei bastante nesse estudo por conta das suas conclusões. Eu vou discutir isso em termos de desenho, análise e interpretação.

Eu acho que o desenho foi bom por ser um estudo prospectivo que coletou todos os dados sobre os participantes. Entretanto, o tamanho da amostra foi pequeno. Eu também tenho algumas preocupações com relação à análise dos dados, pois ela foi simplista. Idealmente, eles deveriam ter feito uma análise de regressão. Isso teria levado em consideração características como overjet inicial, gênero e quantidade de retração. Todas essas variáveis são importantes.

Entretanto, minha maior preocupação é a ausência de um grupo controle que poderia ter sido composto por pacientes que fizeram o tratamento extrações. De fato, a única forma de responder a pergunta desse estudo seria incluindo esse grupo.

Minha outra preocupação é se as diferenças que eles encontraram foram clinicamente significantes. Eu não sei muito bem se as diferenças seriam menores se os intervalos de confiança fossem mais amplos. Isso significa que existe um alto nível de incerteza nesses dados.

O que posso concluir?

Mesmo sendo mais fácil simplesmente descartar os resultados por conta dos problemas que eu levantei, eu acho que é importante que eles chegaram perto de achar uma informação interessante. Esse estudo não tem poder suficiente para mudar os procedimentos clínicos. Mesmo assim, eles investigaram uma pergunta interessante que deve ser pesquisada com estudos maiores e mais robustos.

 

Traduzido por Klaus Barretto Lopes

Professor Visitante da Universidade de Manchester, Inglaterra, Reino Unido

Instrutor de Ortodontia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil

 

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