April 15, 2019

A piezocisão aumenta bastante a velocidade da movimentação dentária!

Atualmente, muitos trabalhos têm sido feitos para se descobrir métodos de se fazer os dentes se moverem mais rápido. Este novo estudo mostra alguns resultados notáveis da piezocisão.

Nos últimos anos, os pesquisadores têm publicado vários estudos sobre a efetividade dos métodos de aumento da velocidade da movimentação dentária.

Já discuti sobre isso antes, mas eles incluíram trauma localizado, trauma extenso, várias frequências de luz e vibradores ortodônticos.

A maioria desses estudos tem concluído que existe um efeito limitado ou não existe efeito dessas novas intervenções e que “nada funciona”. Até este novo estudo clínico, que revelou resultados notáveis.

Piezocision-assisted orthodontic treatment using CAD/CAM customised orthodontic appliances: a randomised controlled trial in adults
Carole Charavet et al. EJO: Online advanced access. doi:10.1093/ejo/cjy082

O que perguntaram?

“Eles queriam investigar se o uso da piezocisão com aparelhos individualizados utilizando a tecnologia CAD/CAM influenciaria no tempo de tratamento em pacientes com apinhamento suave”.

A piezocisão é um método relativamente invasivo de se realizar corticotomias sem a abertura de retalho. Aqui está um belo vídeo:

https://youtu.be/9XId0t7m3wI

Quando olho para isso, não me parece ser “minimamente invasivo”.

O que fizeram?

Eles fizeram um RCT com alocação de 1:1. A PICO foi:

Participantes: Vinte e quatro pacientes adultos com apinhamento suave ou moderado, necessitando de tratamento com aparelhos fixos.

Intervenção: Realização de piezocisão duas semanas após a colocação do aparelho.

Controle: Tratamento convencional, sem piezocisão.

Resultado: Tempo de tratamento geral.

Foram colocados aparelhos auto-ligáveis usando-se a tecnologia CAD/CAM em todos os participantes. Eles seguiram a seguinte sequência de fios para todos os pacientes: 0,014, 0,018, 0,014×0,025 e 0,018×0,025 (Copper NiTi) e 0,019×0,025 (aço inoxidável) para finalização. Os pacientes foram vistos a cada duas semanas. Eles mudaram os arcos apenas quando o encaixe completo do fio no bráquete era conseguido.

Finalmente, um ortodontista independente validou a remoção do aparelho revisando os modelos de estudo. Ele não sabia qual era o grupo no qual o paciente estava alocado.

O cálculo do tamanho da amostra foi preciso e foi baseado no tempo total de tratamento. O cálculo mostrou que seriam necessários 11 pacientes por grupo. A randomização foi clara e a alocação do tratamento foi escondida em envelopes. Não ficou claro se os participantes foram registrados no estudo antes do início do tratamento.

Além disso, para a duração do tratamento, eles também coletaram dados do tratamento e danos periodontais por meio de exame direto e de imagens sequenciais de tomografias (CBCT).

O que encontraram?

Não existiam diferenças entre os grupos no início do tratamento. Todos os pacientes completaram o estudo.

Quando observaram a duração do tratamento, ela foi de 278 (DP=80,2) dias no grupo com piezocisão e de 393 (DP=55,2) dias no grupo controle.

Isso significou que o tratamento com a piezocisão foi 1,6 vezes mais rápido que o convencional, com redução de 36% no tempo de tratamento. Essa diferença é clinica e estatisticamente significativa.

Achei importante que o tempo entre as trocas de arcos foi significativamente menor no grupo com a piezocisão para a maioria dos arcos. Tais diferenças variaram entre 18 e 43 dias.

Existiram diferenças limitadas ou não existiram diferenças nos outros resultados que foram medidos. Porém, a piezocisão causou pequenas cicatrizes na gengiva.

Na discussão, os autores ressaltaram que existiu variação nos achados dos outros estudos. Eles sugeriram que isso pode ter ocorrido devido a diferenças na técnica de piezocisão, no tempo entre os ajustes do aparelho e no aparelho.

O que pensei?

Acho que os resultados deste estudo são notáveis. Eu postei anteriormente sobre outro estudo que mostrou resultados similares para o tempo de alinhamento. Porém, os resultados deste estudo são muito relevantes clinicamente, pois eles avaliaram o tempo total do tratamento. Para tornar esta diferença clara, converti a diferença dos dias em meses, resultando num total de 3,8 meses, que é substancial. Também é impressionante que uma única utilização da piezocisão tenha resultado em tamanha redução no tempo de tratamento.

Por conta do tamanho do efeito e sou realmente cínico sobre esses métodos, esmiucei cuidadosamente este estudo. Não encontrei nenhum problema significativo com o estudo. A maior parte das minhas preocupações é pequena e diz respeito ao método de registro dos pacientes antes da alocação, que não foi claro, e a potencial falta de poder para os resultados secundários.

Porém, ressaltei que o tempo entre as trocas de arco foi menor no grupo com a piezocisão. Isto pode ter sido um efeito real ou os operadores podem ter feito as trocas dos arcos mais rapidamente por saberem que a piezocisão tinha sido usada, uma vez que não foram cegados para a alocação. Isso é uma potencial fonte de viés e precisamos considerar isso quando interpretarmos os resultados.

Mesmo que fiquemos animados com este estudo, precisamos ter um pouco de cautela. Em primeiro lugar, o tamanho da amostra é pequeno e pode estar sujeito à variação individual, como evidenciado pela diferença nos desvios-padrão. Também precisamos considerar se a diferença no tempo de tratamento compensa o procedimento traumático. Finalmente, precisamos fazer mais pesquisas e incluir os resultados dos estudos na meta-análise. Apesar disso, os resultados deste artigo são interessantes e clinicamente relevantes. A piezocisão pode ter um efeito clínico.

 

Traduzido por Klaus Barretto Lopes

Professor Adjunto de Ortodontia e Saúde Bucal Coletiva da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil

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