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CBCT vs outras formas convencionais de se localizar caninos impactados. Cuidado com a radiação Eugene: (Revisitado).

By on April 4, 2017 in Portuguese with 0 Comments
CBCT vs outras formas convencionais de se localizar caninos impactados. Cuidado com a radiação Eugene: (Revisitado).

CBCT vs outras formas convencionais de se localizar caninos impactados. Cuidado com a radiação Eugene: (Revisitado).

Um dos primeiros posts que eu fiz foi sobre o uso da CBCT para localizar os caninos não erupcionados. O AJO-DDO publicou recentemente um estudo que avaliou esse assunto de uma forma mais ampla. Como resultado, eu estou atualizando esse post referente a tal importante assunto.

Isso também me permite retornar a minha adolescência e me leva a nomear os posts baseado em faixas do Pink Floyd…

Todos nós estamos familiarizados com a clareza das imagens que podemos conseguir com as CBCTs. Entretanto, existe alguma preocupação de que, como em qualquer técnica nova, possa acontecer mais prescrições do que o necessário. Por exemplo, alguns ortodontistas afirmam que eles usam imagens de CBCT rotineiramente para a maioria dos pacientes. Essa é uma área importante devido ao aumento da exposição à radiação com CBCT quando comparada às imagens convencionais. Além disso, não existe nível seguro de exposição e nós não sabemos os efeitos do excesso de radiação no longo prazo.

Dessa forma, tem se tornado essencial avaliar o equilíbrio entre os riscos e os benefícios da CBCT comparado aos das imagens convencionais. Esse artigo é uma revisão sistemática que tenta responder a essa questão. Eu achei a revisão interessante, mas muito complexa! Um grupo da Califórnia e de Boston fez esse estudo.

Cone-beam computed tomography vs conventional radiography in visualization of maxillary impacted-canine localization: A systematic review of comparative studies

Ehsan Eslami et al

Am J Orthod Dentofacial Orthop 2017;151:248-58  http://dx.doi.org/10.1016/j.ajodo.2016.07.018

Eles objetivaram descobrir se existia alguma diferença na acurácia do diagnóstico, na concordância, no plano de tratamento e na eficiência social entre a CBCT e as imagens convencionais na avaliação dos caninos impactados.

O que eles fizeram?

Eles fizeram uma abordagem muito interessante e decidiram basear o estudo na medida “utilidade clínica na tomada de decisão”. Eles fizeram cinco perguntas:

  1. Existe alguma diferença entre as modalidades na acurácia da localização dos caninos impactados?
  2. Qual é a concordância intermodalidades entre a informação obtida pela CBCT comparada à radiografia convencional para a localização de caninos superiores impactados?
  3. Qual é o nível de concordância entre as decisões de tratamento feitos a partir da CBCT comparados às das radiografias convencionais?
  4. Existem diferenças entre os resultados do tratamento conseguidos por essas modalidades?
  5. Qual é a diferença entre os custos sociais envolvidos a essas modalidades?

Eles conduziram uma revisão sistemática direcionada por essa PICO:

Population: Pacientes ou modelos simulados com um canino impactado;

Intervenção: Imagens de CBCT;

Comparação: Imagens convencionais em 2D;

Desfechos: Acurácia do diagnóstico entre os métodos.

Dois autores identificaram os artigos e avaliaram os vieses com as ferramentas Newcastle-Ottowa Scale e a Avaliação de Qualidade dos Estudos de Acurácia nos Diagnósticos para avaliar os critérios de diagnóstico.

O que eles encontraram?

Eles identificaram 8 estudos para inclusão. A maioria deles teve um alto risco de viés de seleção pela inclusão de “casos complexos”. Eu examinei os resultados e eu achei que esses foram os principais achados:

  1. A acurácia da CBCT variou entre 50 e 90% enquanto a acurácia das imagens convencionais variou de 39 a 85%.
  2. A informação obtida pela CBCT foi diferente das radiografias convencionais, mas essa informação não ficou clara para mim (independentemente do número de vezes que eu tenha lido essa parte do artigo).
  3. A concordância geral entre as técnicas foi moderada. Três estudos examinaram a eficiência terapêutica da CBCT e existiu uma concordância entre 70 e 80% entre as técnicas.

Resumo

Os autores, em sua longa discussão, cobriram uma grande quantidade de informação. Devo admitir que achei boa parte da discussão um pouco confusa. Apesar disso, os autores afirmaram, claramente, o seguinte:

  • A CBCT é mais acurada que as técnicas convencionais na localização de caninos superiores impactados;
  • A CBCT é mais confiável que as técnicas convencionais;
  • Não existe evidência robusta que suporte o uso da CBCT como a técnica a ser empregada em primeiro lugar. Nós só devemos utilizá-la quando a radiografia convencional não fornecer informação suficiente.

O que eu pensei?

Eu achei que essa revisão sistemática foi interessante. Os autores utilizaram uma técnica clinicamente relevante para guiar a metodologia, o que nos forneceu informações úteis. Porém, eu achei o artigo muito complexo e eu espero que eu tenha interpretado corretamente a grande quantidade de informação contida nele.

É relevante para mim ressaltar que os autores acharam que os resultados suportaram as recomendações do projeto SEDENTEX , da British Orthodontic Society e das diretrizes da AAO (esse último é somente dos membros). Todos eles afirmam que a CBCT só deve ser utilizada quando a informação não possa ser obtida de técnicas convencionais. Sempre agi dessa forma e não devo mudar. Apesar disso, sempre que eu discuto isso com colegas alguém diz: – Mas se nós começarmos com técnicas convencionais e depois passarmos para a CBCT estaremos expondo o paciente a mais radiação do que se somente fizéssemos uma CBCT. Minha visão é que nós devemos considerar o risco para cada paciente e tentar evitar muita irradiação. Eu acho que essa é a melhor forma, pois nós não sabemos os ganhos versus os riscos da radiação extra.

Isso me traz ao uso rotineiro da CBCT para os pacientes ortodônticos. Esse será o tema de um outro post.

 

Traduzido por Klaus Barretto Lopes

Professor Visitante da Universidade de Manchester, Inglaterra, Reino Unido

Instrutor de Ortodontia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil

CBCT vs outras formas convencionais de se localizar caninos impactados. Cuidado com a radiação Eugene: (Revisitado).

 

Um dos primeiros posts que eu fiz foi sobre o uso da CBCT para localizar os caninos não erupcionados. O AJO-DDO publicou recentemente um estudo que avaliou esse assunto de uma forma mais ampla. Como resultado, eu estou atualizando esse post referente a tal importante assunto.

 

Isso também me permite retornar a minha adolescência e me leva a nomear os posts baseado em faixas do Pink Floyd…

 

Todos nós estamos familiarizados com a clareza das imagens que podemos conseguir com as CBCTs. Entretanto, existe alguma preocupação de que, como em qualquer técnica nova, possa acontecer mais prescrições do que o necessário. Por exemplo, alguns ortodontistas afirmam que eles usam imagens de CBCT rotineiramente para a maioria dos pacientes. Essa é uma área importante devido ao aumento da exposição à radiação com CBCT quando comparada às imagens convencionais. Além disso, não existe nível seguro de exposição e nós não sabemos os efeitos do excesso de radiação no longo prazo.

 

Dessa forma, tem se tornado essencial avaliar o equilíbrio entre os riscos e os benefícios da CBCT comparado aos das imagens convencionais. Esse artigo é uma revisão sistemática que tenta responder a essa questão. Eu achei a revisão interessante, mas muito complexa! Um grupo da Califórnia e de Boston fez esse estudo.

 

Cone-beam computed tomography vs conventional radiography in visualization of maxillary impacted-canine localization: A systematic review of comparative studies

Ehsan Eslami et al

Am J Orthod Dentofacial Orthop 2017;151:248-58  http://dx.doi.org/10.1016/j.ajodo.2016.07.018

 

Eles objetivaram descobrir se existia alguma diferença na acurácia do diagnóstico, na concordância, no plano de tratamento e na eficiência social entre a CBCT e as imagens convencionais na avaliação dos caninos impactados.

 

O que eles fizeram?

Eles fizeram uma abordagem muito interessante e decidiram basear o estudo na medida “utilidade clínica na tomada de decisão”. Eles fizeram cinco perguntas:

  1. Existe alguma diferença entre as modalidades na acurácia da localização dos caninos impactados?
  2. Qual é a concordância intermodalidades entre a informação obtida pela CBCT comparada à radiografia convencional para a localização de caninos superiores impactados?
  3. Qual é o nível de concordância entre as decisões de tratamento feitos a partir da CBCT comparados às das radiografias convencionais?
  4. Existem diferenças entre os resultados do tratamento conseguidos por essas modalidades?
  5. Qual é a diferença entre os custos sociais envolvidos a essas modalidades?

 

Eles conduziram uma revisão sistemática direcionada por essa PICO:

 

Population: Pacientes ou modelos simulados com um canino impactado;

 

Intervenção: Imagens de CBCT;

 

Comparação: Imagens convencionais em 2D;

 

Desfechos: Acurácia do diagnóstico entre os métodos.

 

Dois autores identificaram os artigos e avaliaram os vieses com as ferramentas Newcastle-Ottowa Scale e a Avaliação de Qualidade dos Estudos de Acurácia nos Diagnósticos para avaliar os critérios de diagnóstico.

 

O que eles encontraram?

Eles identificaram 8 estudos para inclusão. A maioria deles teve um alto risco de viés de seleção pela inclusão de “casos complexos”. Eu examinei os resultados e eu achei que esses foram os principais achados:

 

  1. A acurácia da CBCT variou entre 50 e 90% enquanto a acurácia das imagens convencionais variou de 39 a 85%.
  2. A informação obtida pela CBCT foi diferente das radiografias convencionais, mas essa informação não ficou clara para mim (independentemente do número de vezes que eu tenha lido essa parte do artigo).
  3. A concordância geral entre as técnicas foi moderada. Três estudos examinaram a eficiência terapêutica da CBCT e existiu uma concordância entre 70 e 80% entre as técnicas.

 

Resumo

Os autores, em sua longa discussão, cobriram uma grande quantidade de informação. Devo admitir que achei boa parte da discussão um pouco confusa. Apesar disso, os autores afirmaram, claramente, o seguinte:

 

  • A CBCT é mais acurada que as técnicas convencionais na localização de caninos superiores impactados;
  • A CBCT é mais confiável que as técnicas convencionais;
  • Não existe evidência robusta que suporte o uso da CBCT como a técnica a ser empregada em primeiro lugar. Nós só devemos utilizá-la quando a radiografia convencional não fornecer informação suficiente.

 

O que eu pensei?

Eu achei que essa revisão sistemática foi interessante. Os autores utilizaram uma técnica clinicamente relevante para guiar a metodologia, o que nos forneceu informações úteis. Porém, eu achei o artigo muito complexo e eu espero que eu tenha interpretado corretamente a grande quantidade de informação contida nele.

 

É relevante para mim ressaltar que os autores acharam que os resultados suportaram as recomendações do projeto SEDENTEX , da British Orthodontic Society e das diretrizes da AAO (esse último é somente dos membros). Todos eles afirmam que a CBCT só deve ser utilizada quando a informação não possa ser obtida de técnicas convencionais. Sempre agi dessa forma e não devo mudar. Apesar disso, sempre que eu discuto isso com colegas alguém diz: – Mas se nós começarmos com técnicas convencionais e depois passarmos para a CBCT estaremos expondo o paciente a mais radiação do que se somente fizéssemos uma CBCT. Minha visão é que nós devemos considerar o risco para cada paciente e tentar evitar muita irradiação. Eu acho que essa é a melhor forma, pois nós não sabemos os ganhos versus os riscos da radiação extra.

 

Isso me traz ao uso rotineiro da CBCT para os pacientes ortodônticos. Esse será o tema de um outro post.

 

Traduzido por Klaus Barretto Lopes

Professor Visitante da Universidade de Manchester, Inglaterra, Reino Unido

Instrutor de Ortodontia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil

 

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